Porque sou publicitário de formação e jornalista de coração, me junto aos amigos “Jornalistas por Formação” na defesa pelo da necessidade de uma formação adequada e sólida para aqueles que exercem a profissão, e posto um texto do Gabriel Garcia Marquez sobre o Jornalismo. Lendo essas linhas, recordei dos tempos de Rádio Cultura AM 1460.
Só quem viveu os dois primeiros anos do “novo” jornalismo da Cultura, da sua implantação até as grandes coberturas de eleições, carnaval, onde ficavamos as vezes mais de 12 horas no ar, ao vivo, levando notícia e prestação de serviços à comunidade, pode entender o que realmente foi aqueles dias. Aquelas pessoas, jovens e adultos, podem dizer que realmente nasceram para a profissão, podem se orgulhar de ter feito jornalismo nu e cru, sem interferências, sem cortes, sem interesses. Assim, e só assim, é que deveria ser todo jornalismo.
“Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la.
Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo,
a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são.
Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso
poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz,
cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre,
mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar
com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”
Gabriel Garcia Marquez

