Bom, há algum tempo não posto nada que tenha escrito. Já escrevi isso aqui um dia e repito hoje: não que eu não esteja escrevendo nada nos últimos tempos, até pelo contrário, tenho escrito muitas coisas. Mas nada que vale a pena compartilhar nesse momento. Continuo na correria das viagens, um dia aqui o outro não, e quando me fecho no quarto de um hotel ou do local onde vou dormir, acabo escrevendo muito, pesquisando outro tanto, e num desses momentos encontrei o texto abaixo de Lya Luft. Sensato, certeiro, real…
De alguma forma lembrei algo que havia esquecido, talvez porque havia me auto-anestesiado: a dor dói demais, mesmo quando a gente acaba escolhendo um caminho que não era aquele que realmente queríamos. Viver em sociedade é assim: preceitos, pré-conceitos, e padrões que devemos seguir, sem querer, sem pensar. Apenas seguir.
“Não sou a areia
onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha da vida,
sou construção e desmoronamento,
servo e senhor,
e sou mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos a sério”.
Lya Luft

